quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Johnny Eduardo vê lado positivo na derrota


Por Marcelo Barone
Foto UFC

Uma sequência de onze vitórias é capaz de deixar qualquer lutador extremamente confiante. E este excesso pode acabar prejudicando o atleta. Sem saber o que é derrota desde 2007, Johnny Eduardo sucumbiu diante de Raphael Assunção, no UFC Rio, realizado no último sábado. O atleta da Nova União perdeu na decisão unânime dos jurados e viu sua coleção de triunfos ser interrompida.

Estreante no UFC, Johnny afirmou, em entrevista à TATAME, que viu o lado positivo da derrota, o que poderá levá-lo a evoluir e ficar menos autoconfiante. “Eu estava achando que eu não tinha nada a aprender. Foi até bom isso (derrota) acontecer para eu dar mais valor, agora vou correr mais atrás ainda do que eu quero, do que eu desejo para mim”.

Como você avalia seu desempenho contra o Raphael Assunção?

Acho que não foi dos melhores. Não consegui desenvolver muito bem minhas quedas e no chão. Eu esperava que eu me soltasse um pouco mais. Não sei se foi a estreia, mas alguma coisa me travou totalmente. Eu não consegui impor a minha trocação. Eu acho que não foi só a estreia, mas muita coisa pesou ali na hora como ver um companheiro de equipe sendo nocauteado (Luis Beição). Na hora pensei “tenho que reverter isso”. Mas valeu a experiência e foi bom porque eu vi que posso render muito mais. Quero ter uma outra oportunidade de poder mostrar meu jogo, sem tirar os méritos do Raphael, que jogou com as regras debaixo do braço. Ele não trocou muito, encurtou e aplicou as quedas.

O Raphael foi do WEC durante anos e tinha uma luta no UFC. Ele pode ter levado vantagem por conta dessa experiência?

Ele é um cara mais tarimbado em eventos internacionais. Eu estou me tarimbando agora realmente. Acho que eu não estava no meu dia. O Raphael está de parabéns, estava no dia dele, conseguiu fazer o trabalho certo e não se expôs muito.

Você estava invicto há 11 lutas. Como absorveu a derrota depois de tanto tempo?

O mestre Luiz Alves sempre me falava e eu nunca levei fé, que eu só perdia para mim mesmo. Voltei a focar no meu erro, que eu não focava há muito tempo. Eu estava bem, vindo de uma invencibilidade desde 2007 sem perder, 11 lutas e 11 vitórias consecutivas. Isso estava me deixando confiante demais. Eu estava achando que eu não tinha nada a aprender. Foi até bom isso (derrota) acontecer para eu dar mais valor, agora vou correr mais atrás ainda do que eu quero, do que eu desejo para mim.

Por você ser carioca, a torcida pendeu para o seu lado. Como foi receber o carinho do público?

Foi um carinho muito gostoso. A galera que estava ali já me conhece e acompanha o meu trabalho há muito tempo, então alguns perceberam que eu tinha muito mais para mostrar do que eu mostrei naquela luta. A galera ficou do meu lado ainda mais nesse momento. Eu me agarro nesses detalhes e isso vai me dar mais força para correr atrás, batalhar para virar essa história. Tenho certeza que agora é arrancar cabeça.

Você tem mais quantas lutas no UFC?

Eu tenho mais duas lutas previstas. Mas tudo depende do meu desempenho. Não adianta você entrar em uma empresa se não conseguir render. Aí você vai ser demitido no primeiro mês, e eu não quero isso. Não adianta eu falar se eu não mostrar na prática. Eu tenho que mostrar na prática e falar menos. Vou rever os meus erros, vou ver o que eu tenho que mudar e o que eu tenho que aplicar mais, o que fiz de certo e errado. Se eu tivesse ganho, eu não ia achar que eu teria que mudar. Agora é só saber fazer um trabalho bem feito, fazer o bê-á-bá, o arroz com feijão. Não precisa mais do que isso.

Passada a estreia, agora você tem mais chances de vencer?

O que importa agora é cada luta arrancar a cabeça. Voltar a fazer igual eu fazia antigamente: saía para o pau e não queria saber de nada. Esse negócio de ser muito técnico... Tem que sair na mão igual eu fazia antigamente, não queria saber de nada. Vai ser mais ou menos assim, nesse ritmo, que eu irei voltar.

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